Os sinos também repicam para quem nasce. Um tiro na noite e um corpo na estrada são apenas cenário para quem por ela passa a cem por hora. E pode ser uma mulher em trabalho de parto conduzida numa ambulância do Samu. O olhar daquele pai, sentado ao lado da parturiente, percebe a tragédia lá fora, mas seu coração tremula de alegria. E de um pouco de agonia pelo futuro incerto que a criança por certo terá. Assim tropeça a humanidade.
Bom mesmo é reparar nos livros. Nos que lemos e nos que escrevemos. Está lá o que procuramos. Não está lá o que desejamos. Esta, a maior agonia: nascer da morte, viver no escuro. Nós e os livros, nós nos livros.