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O ESCRAVO

Dez vezes abandonei-a, e dez vezes voltei.

Agora, ela sabe que não partirei mais.

E, contudo, não a quero.

Se ela morresse amanhã, eu seria feliz, seria livre!

Conhecestes, acaso, a tortura de soluçar sobre um corpo de mulher aviltado por outras carícias?

Conhecestes a vergonha de não poder arrancar-se do lado de uma mulher porque seu corpo é maravilhoso?

Hoje, bati-lhe; e, como me desafiasse ainda, ardente, transfigurada, com um luz tão bela nesses olhos divinos, atirei-me sobre sua boca como quem se mata, e jamais beijo algum foi mais voluptuoso.

Quando a ameaço, estira-se preguiçosamente.

Quando ameaço os seus amantes, põe-se a cantar uma canção jocosa.

Quando falo em matar-me, contenta-se com perguntar: "E quem cuidará de tuas rosas?"

E vivo minha vergonha, esperando que esse corpo incomparável murche, como minhas rosas.

 

(de Autor desconhecido, escrito há séculos e recolhido pelo francês Franz Toussaint, em data imprecisa, in "As mais belas páginas da literatura árabe", traduzido e selecionado por Mansour Chalitta, 1973, Associação Cultural Internacional Gibran)

 



Escrito por Carlos Barbosa às 23h28
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O CASAMENTO DO SÉCULO

O casamento foi aprovado com entusiasmo pelas famílias, com poucas exceções. Tudo parecia caminhar bem, mas a nova casa mexeu com os ânimos do casal. Bem, mexeu mais com ele, para ser sincero. não era mais o mesmo. Comprou carro novo e passou a viajar constantemente, gastando os tubos e tudo que por dentro deles pudesse escorrer. E a falar muito, contando vantagens, em casa e em qualquer lugar. Até que fatos estranhos se sucederam: jóias sumiram, a porta da cozinha amanheceu arrombada, cobradores batiam à porta da frente, as novas amizades pareciam e eram estranhíssimas, seu sócio apareceu morto em uma estrada vicinal, o nome dele sujo na praça, e, espantoso, ele garantia a ela que tudo era mentira e se algo acontecera, ele de nada sabia. Mas ela o amava. Amava tanto que continuava na casa, feliz, esperando pelo dia seguinte. Vez em quando, espiava pela janela os seguranças no jardim, jogando cartas a virar goles de branquinha. E seguia pensando no filho que ele queria para o ano que vem, enquanto esfregava gelo no olho roxo.

 



Escrito por Carlos Barbosa às 22h01
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