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A DAMA NA ÁGUA

                                                                                       

Bryce Dallas Howard interpreta Story. Miss Howard possui várias belezas, algumas decifráveis.

Tudo que precisamos para viver de verdade é de uma história, pelo menos uma. é necessário permitir-se acreditar, romper as amarras racionais e materialistas, ‘fazer o coração mandar’.

Ninguém sabe quem se é mesmo”, é a fala-chave da história vivida na tela. E vem do Oriente, como quase tudo que apela à espiritualidade. O mito crístico é visível: figura de origem divina - cuja presença é suficiente para o despertar de idéias novas - que morre e ressuscita e depois sobe aos céus nas garras de uma águia.

Alguém tem ou terá as idéias que podem mudar o mundo. E esse alguém é ou será um escritor. Um livro precisa ser escrito para que outros o leiam e de suas idéias se sirvam em benefício de todos. Falta Story a muitos escritores.

O apelo à comunidade global está presente: negros, indianos, asiáticos, arianos, latinos, empurrando Story para diante, na luta contra seu inimigo mortal. Qual? Ora, a história é de cada um e cada um tem o seu inimigo preferencial. O planeta tem um: o homem.

Em um crítico de cinema e literatura, Shyamalan encarnou o que temos de pior: tudo que se opõe ao sonho, à , à harmonia, à compaixão, à beleza de uma metáfora bem construída – a tola e fria vaidade intelectual.

Simplório, despretensioso, muitos podem fazer beicinho e achar o filme uma bobagem, em tempos trevosos como os atuais. Mas é fantasia que apela para o que temos de melhor como seres humanos e que, a cada dia, solapamos em nome do cientificismo, do pragmatismo, do business desenfreado.

“A dama na água” é cinema de sonho. E Miss Howard o incorpora à perfeição.



Escrito por Carlos Barbosa às 21h27
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DOIDA DULCE

Doida, Dulce a rua desce

Afoitamente, docemente, um véu

Espelha um seu céu com flores

Perfumes, amores

 

E desce a rua – tocada

Quer ser felizrisada

Tosse baixinho – pedrada

 

Mas Doida Dulce se afoga em sorrisos

Senhora e livre em seu paraíso

Com mais de um filho doutor

Uma casa em flor

Muita gente ao redor

 

Doida Dulce, doida

Doida, dulcemente

Doida Dulce, dor

Dulce gente

 

(Poema? Miniconto? Pode ser, a depender das leituras e ou da boa vontade do leitor. Mas "Doida Dulce" é letra de música de autoria de Washington Coutinho, Juarez Pereira e este que ora escreve, feita por volta de 1979, tempo em que sabíamos cantar.)



Escrito por Carlos Barbosa às 16h33
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CRONIQUETA DAS SURPRESAS

A primeira se deu na livraria: meu romance, A Dama do Velho Chico, exposto na bancada de novidades, no mês em que completa quatro anos de vida pública.

A segunda veio na sala de cinema: um microfone intrépido a se meter insistentemente em cena, em um dos melhores filmes do ano - tanto que o assisti três vezes - umoutra dama, A Dama na Água.

A terceira aconteceu por ocasião do jantar: jantar apenas pretendido, pois o restaurante, que fica aberto até a meia-noite, estava fechado às 19 horas – e o “camarão a Joel” não foi, desta vez, degustado.

E a quarta tem sido a chuva, aliada ao frio, sempre despropositada em setembro.

Ficamos assim: falhas acontecem mesmo em Hollywood, o tempo se vinga diuturnamente dos excessos humanos e nossas casas comerciais não entendem muito bem dos negócios que tocam, ou pelos quais são tocadas.

Alguma surpresa? Era sábado, o tal dia das possibilidades extremas.



Escrito por Carlos Barbosa às 20h08
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