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CÃO

A coleira, dela; a corrente, minha. Juntas, prendiam o cão, que tentava avançar. Retido, o cão empinava as patas dianteiras e rugia. Havia algo diante dele que o enlouquecia, talvez uma possibilidade de carne, cheiros a nós imperceptíveis, certa liberdade para espojamentos, o esperado sonho. Minha corrente era resistente; a coleira dela, firmemente jungida ao pescoço do cão, expunha frias iniciais. Uma luta silenciosa entre a liga metálica, o desejo canino e a apreciação humana. Eu fui para casa; ela, não sei. E o cão ainda agoniza engasgado pela própria baba.



Escrito por Carlos Barbosa às 19h10
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