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A VIDA AOS SÁBADOS
Digamos que o começo da semana é o começo da vida. Então, segunda-feira seria a infância; quarta, a mocidade; e sexta, a maturidade. Sábado, bem... porque é sábado, esse é o dia das possibilidades extremas, inclusive a de se recomeçar aos domingos.
Tive uma infância maravilhosa, mas a mocidade foi conturbada. Fui chamado a tomar decisões angustiantes, eu que era todo calmaria. Optei por ficar quieto em meu canto, sofrendo mais uma vez de incompreensão, cobranças descabidas e altas exigências. Mas o mundo lá fora reluzia, feérico. Compus mais um trecho de um longo poema, Inventário da triste figura – “Solidão: única amizade sólida que o mundo oferece”. Cheguei triste à minha maturidade. Mas nela M. me esperava, e nela tive meu conforto. M. dorme ao meu lado, serena e serenada. Faz um incompreensível frio lá fora. Daqui a pouco será sábado.
Escrito por Carlos Barbosa às 23h15
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OS ENCONTROS
De dez em dez anos, a turma comparece ao encontro. “Muda só a aparência, a amizade nunca”. A farra é o que é: redemoinho de desejos. Há separados e rejuntados; recém-nascidos e enviuvados; sóbrios e insanos; os que não envelhecem e os tornados anciãos; os sãos e os adoentados; os que fumam tudo e os que ainda mijam em becos; os ausentes que marcam presença e os presentes invisíveis; mas todos bebem algo, mesmo que goles de esperança; e ninguém deixa de se divertir. De tanto observar, e por duvidar até mesmo do sistema solar que, volta e meia, aumenta ou encolhe, alguém deixou escapar ao olhar as fotografias, dias depois do encontro: “acho melhor esse encontro acontecer todo ano”.
Escrito por Carlos Barbosa às 19h59
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