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MINHA PEDRA DO REINO

A ostra morre para que o mundo ganhe mais uma pérola. Alguns poetas morrem à cata de uma pérola em versos. Os garimpeiros tudo fazem por uma pedra preciosa. E eu, quando topei com minha pedra, estive perto de conhecer o interior das fundações mais profundas do metrô - aqui na terrinha ainda em construção arruinada.

Minha pedra era típica do reino. Pedra especial, toda mistério e recolhimento. Presente, apenas a dor que a anunciava. Durante dias a esperei materializar-se; durante dias desesperei-me por ela. E ela era apenas pedra oculta; feito as de cristal no profundo das serras, negava-se à topada real. Na apuração do fato, sugeriram-me até um coador que, de sugestivo mesmo, trazia apenas o vocábulo, não a função.

Diverso de sua aparição fantasmal foi seu desaparecimento: sem estertores, sem concreta presença, sem estalido no vaso, sumiu-se assim como se desfaz falsa notícia. Não deixou sequer um argumento decente para uma novela urbana.  



Escrito por Carlos Barbosa às 21h51
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ANÁLISE

Sentei-me a meia-noite, horário do Japão, à mesa central do restaurante de D. Marina, para almoçar. Manquitolava ao entrar, o que dela não passou despercebido.

Chegou-se, conforme seu jeito despachado:

- O senhor parece mal, hoje – comentou.

Era verdade: carregava uma aparência cansada, rosto amarrotado, olheiras profundas e um olhar enevoado e triste.

Então disse a ela que vivenciava pela primeira vez uma crise renal.

- Mas a bengala é por causa disso?

Não, era por conta de...(não agüento mais explicar a bengala).

Ela não conteve o espanto:

- Nossa! Se passar numa peneira vai sobrar pouca coisa do senhor!

Enfim.



Escrito por Carlos Barbosa às 23h30
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A ENCHENTE

O rio venceu o cais, invadiu a praça, subiu os degraus da igreja.

Minha mãe, a seco, foi lá ver:

- Que tragédia, meu Deus! Mas como é lindo!



Escrito por Carlos Barbosa às 23h20
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