Histórico
 29/10/2006 a 04/11/2006
 22/10/2006 a 28/10/2006
 15/10/2006 a 21/10/2006
 08/10/2006 a 14/10/2006
 17/09/2006 a 23/09/2006
 10/09/2006 a 16/09/2006
 03/09/2006 a 09/09/2006
 27/08/2006 a 02/09/2006
 20/08/2006 a 26/08/2006
 13/08/2006 a 19/08/2006
 06/08/2006 a 12/08/2006
 30/07/2006 a 05/08/2006
 09/07/2006 a 15/07/2006
 04/06/2006 a 10/06/2006
 14/05/2006 a 20/05/2006
 23/04/2006 a 29/04/2006
 12/03/2006 a 18/03/2006
 05/03/2006 a 11/03/2006
 19/02/2006 a 25/02/2006


Outros sites
 de três dedos
 contramão
 Caverna do Escriba
 João Filho


 
MiniConto


A PRIMEIRA BOLA

Era emborrachada. Mas quase do tamanho oficial e de gomos brancos e pretos pintada. Presente de Natal. Saiu do quarto quicando a bola no piso, tóim! tóim! A mãe proibiu-o de jogar dentro de casa. Foi pra rua e de foi expulso pelos intrépidos carros. Ficou na calçada, pra e pra , a driblar imaginados adversários. Uma tristeza. Mas a bola era dele e não a dividiria com outros facilmente. Chegou a tarde e ele continuava agarrado à bola. Na praça do cais, exibiu-a como se fosse sua primeira namorada. Não a beijou publicamente por timidez, mas vontade teve. Anoitecia e os rapazes pulavam do cais, o rio pesadamente cheio. De repente, um puxão e a bola virava brinquedo nos pés da rapaziada. Ele pediu a bola de volta, gritou esganiçado e acabou chorando. Mas a bola não voltava: rebolava-se faceira entre os rapazes, tóim! tóim! Antes de escurecer completamente, a bola foi chutada com ímpeto rio adentro. Deu seu último tóim ao tocar as águas barrentas e velozes do rio. Engasgado pelo choro, do alto do cais, horrorizado e impotente, assistiu ao sumiço da bola na escuridão, rio abaixo. No retorno ao lar, levou uma surra por ter perdido a bola, seu caro presente de Natal.



Escrito por Carlos Barbosa às 23h49
[] [envie esta mensagem]



FRENTE FRIA EM SALVADOR

Parece que chove dentro de casa.

Parece que chove dentro da gente.



Escrito por Carlos Barbosa às 21h37
[] [envie esta mensagem]



Titânico

Assim: faz-se uma incisão e depois descola-se a gengiva, expondo-se o osso. Em seguida abre-se um buraco com uma broca. O passo seguinte é introduzir ali um pino de titânio como quem enfia um plano no bestunto de um obtuso. Chega-se até a usar uma chaveta para apertar no limite máximo. Então completa-se com a sutura da gengiva. E abre-se outro e mais outro, pois quem nasce na roça sempre perde uns quatro dentes, no mínimo, até a adolescência - os que ainda têm dentes, é claro. E o sujeito fica então com a boca repleta de pontos a espetar a língua, e com pensamentos mórbidos. Quatro dias tomando sucos e sorvete, quatro dias. Engole-se mais saliva nesse período que se diante de Giselle nua por todo um fim de semana. Pior de tudo é o desgosto que se pega de sorvete. É assim, titânico.

Escrito por Carlos Barbosa às 20h21
[] [envie esta mensagem]




[ ver mensagens anteriores ]