UMA HISTÓRIA DE AMOR
A moça loura recebeu a ameaça de morte mas não mudou. Nem se mudou. O dono do pedaço, que não passara dos 18 anos, repetia sua ameaça sempre que ela voltava do trabalho.
- Se mande daqui, senão lhe corto a garganta, baranga!
A moça loura não era o que se chamava no pedaço de baranga. Mas o rapaz cuspia no chão quando ela passava, e a ameaçava. E ela seguia, reta, até a casinha, que um dia fora barraco. A moça trabalhava muito.
Chegou o dia em que o rapaz se calou quando ela passou. Seguiu-a e a empurrou pro beco. E deu-lhe sopapos. E puxou-lhe pelos cabelos. E a fez ajoelhar-se. E disse que ia matá-la se ela dali não se mudasse. Ela gemeu, gritou, chorou. E o rapaz a espancou: tapas, socos, empurrões. Bateu muito na moça loura. Mas não a matou.
O dono do pedaço deixou a moça espancada no chão do beco. E afastou-se dali, chorando.
Escrito por Carlos Barbosa às 17h35
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