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Belezaria
A beleza tonteava pelas calçadas do Comércio. Era noite avançada e a beleza mostrava-se esquálida e seminua: a calcinha preta negava-se à bunda murcha, e o sutiã, igualmente preto, procurava em que se prender no busto.
A beleza era assim empurrada por fomes seculares e sedes imediatas. Tão solitária, aquela beleza, à procura de luz e vapor...
Ao volante do carro, cruzei por ela, e fugi do seu olhar; o meu, turvo por lágrimas, enquanto os caronas achavam muita graça da beleza perdida na noite do Comércio.
Escrito por Carlos Barbosa às 15h19
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Improvisos III
Um sorriso curvilíneo fechou-se para mim no balcão do café. Queimei os lábios.
Escrito por Carlos Barbosa às 00h19
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Improvisos II
Tudo indica que o último homem da Terra estará completamente só.
Escrito por Carlos Barbosa às 22h46
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Improvisos I
Sou filho de Deus. Rapaz, como isso dói!...
Escrito por Carlos Barbosa às 22h45
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Para dizer que te amo II
Para dizer que te amo, calarei fundo, feito os grotões de minha terra.
Para deixar claro que te amo, jamais cozinharei e servirei jantares à luz de velas, jamais.
Beberei contigo todas as garrafas de vinho da estante. E deixarei os copos na pia por semanas.
Direi assim que te amo: toda atenção às origens dos teus gemidos, feito piloto de fórmula um – na ponta dos dedos.
E para iluminar este amor que digo e redigo, e assim rejuvenescê-lo, ejacularei em teus seios.
Então, calaremos juntos, pois amor pra valer requer desertos e abandonos.
Escrito por Carlos Barbosa às 01h34
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